Foram dramáticos os últimos dias para os brasileiros. A classe dos caminhoneiros resolveu parar, e parou todo o país. Indignados com o preço do combustível, em especial do diesel, eles resolveram protestar e reivindicar do governo preços justos. E tiveram o apoio do povo!

Dependente do transporte rodoviário para praticamente tudo, pelo menos desde os tempos de Juscelino Kubitschek, logo veio o efeito cascata. Do setor alimentício ao educacional, todos acabaram sendo afetados pela greve. Prova disso foram os aumentos nos preços de produtos orgânicos essenciais, como a batata.

Uma das primeiras medidas do presidente Temer foi colocar o Exército nas ruas. Uma nítida falta de tato republicano e democrático. Coincidência ou não, a última vez que isso havia acontecido foi em 1995, na crise dos petroleiros, no governo de Fernando Henrique Cardoso.

A resposta do governo foi: subsidiar o preço do diesel e redução da tributação sobre o combustível. Na prática, o povo não sai ganhando: parte do dinheiro usado para tornar praticável essa medida vem de cortes na saúde e educação. O corte, mais precisamente, aconteceu na concessão de bolsas de um programa de estímulo ao fortalecimento de instituições de ensino superior (R$ 55,1 milhões) e no fortalecimento do sistema único de saúde, com R$ 135 milhões. Além disso, também foram afetados programas como o de prevenção e repressão ao tráfico de drogas (R$ 4,1 milhões) e policiamento ostensivo e rodovias e estradas federais (R$ 1,5 milhões).

Mais uma vez, o governo não agiu em conformidade com o interesse público. Tenta resolver um problema piorando outro. A medida do governo é mais para adormecer o povo que para solucionar o problema, propriamente. Como sempre, sobra para o povo.

E, por pressão popular, outro resultado da paralisação dos caminhoneiros foi a saída de Pedro Parente, até então, presidente da estatal. Alguns podem não conhecê-lo, mas Pedro Parente é mais uma das velhas figuras da política brasileira. Já havia sido ministro (Casa-Civil, Planejamento e Minas e Energia – o famoso “ministro do apagão”) nos tempos de FHC. Ou seja, num governo de políticas privatizações, mais liberal. Não por acaso esteve no governo de Temer.

Desde que assumiu a presidência da Petrobrás, Parente tem uma postura nitidamente entreguista. Mas isso é, logicamente, um desejo do governo atual. Ora, ele só chegou à presidência por ter pensamentos alinhados ao de Temer. Ou seja, a saída, por si só, de Parente não é suficiente. Por mais que seja algo histórico (pela 1ª vez, os trabalhadores derrubaram o presidente da Petrobrás) os 11 dias de luta dos caminhoneiros e de angústia do povo brasileiro merecem mais vitórias.

É preciso que haja uma mudança na política de preços da estatal, que tem sido de atender aos interesses do mercado, em detrimento dos da nação. Contudo, ao que tudo indica, não será essa a providência do novo presidente da Petrobrás, Ivan Monteiro, que tal qual seu antecessor, é bem visto pelo mercado financeiro.

Nessa orientação de “agradar o mercado”, segundo a ANP, a compra de derivados de petróleo no ano passado foi a maior já registrada em um ano, superando a do ano anterior em 25%. Foram aproximadamente 206,9 milhões de barris no acumulado do ano até novembro de 2017.

Para que o consumidor não seja drasticamente afetado, como tem sido nos últimos anos (segundo a Fecombustíveis, a gasolina teve seu preço aumentado em cerca de 50% só no último ano), é preciso que a lógica de preços da Petrobrás se baseie nos seus custos e considere também os lucros dos concorrentes. Portanto, em vez de sobrecarregar, mais uma vez, o povo brasileiro, reduzindo os investimentos em saúde, educação e segurança, é preciso repensar a que interesses a Petrobrás deve se submeter. Como já diziam no século passado: ”o petróleo é nosso!”, é do povo brasileiro.